Na margem daquele rio, em cada
pedra havia uma mulher a lavar roupa. Os filhos divertiam-se mergulhando, na
água meio turva de sabão azul e branco, como se fossem patinhos irrequietos. Ao
sabor da leve corrente, por vezes, desciam barcos areeiros que, aos olhos das
crianças, pareciam grandes barcos a vapor a cruzarem o Mississípi. Na margem
direita, num plano mais alto, avistava-se uma imponente casa Senhorial
com grandes janelas, de mil quadradinhos, reflectindo o sol nas copas das árvores
que ladeavam o rio.
Numa destas noites, foi a noite
inteira a tentar regressar aquele lugar da infância. No trilho da memória estava
um lugar que só eu conhecia. Das pessoas que interpelei pelo caminho, por mais
indicações que me dessem, nada me conduziu até lá. Olhando-me só e tranquilo
percebi que o lugar afinal apenas existia em mim.












