segunda-feira, 30 de novembro de 2015

No Inverno

Encolho-me com o frio
volto-me para dentro
fecho a porta.
No Inverno
penso mais
penso pensamentos
fico mais perto de mim
mais perto do mundo.

                               Vincent Van Gogh


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Perder é ganhar.

A vida é desafio
um desafio constante
em que nada se pode ganhar
sem que primeiro aceitemos perder.


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Árvores sem raízes.

O quarto assemelha-se a um lugar apinhado de nadas. Parece-me aninhado numa árvore sem raízes. São quinze anos e passa ali os seus dias enfiado nas tecnologias. Com os adultos lá de casa apenas recontros e confrontos que deixam um rasto de destruição invisível. Percebo as trincheiras e a intolerância. Há medo do desconhecido. Ninguém arrisca um passo na terra de ninguém. Tornou-se imperioso criar uma via para o armistício.

                                           P. Picasso



segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Dependências

Drogas são máscaras denunciantes de dependências mais profundas do indivíduo.


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Essência Vital

Não houve pessoa capaz de te incorporar a essência vital para viveres. Não tiveste ninguém disposto a esse sacrifício. Reclamas agora, aos dezasseis anos, de forma encriptada e por vezes violenta, essa tua necessidade. Continuas a desejar viver. Negas definhar como definham os vampiros na ausência de sangue.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Primeira vez.

Foram anos a erguer muralhas,
a fechar portas e janelas,
a procurar esconderijos,
em guarda ou em fuga
para não sentir.
Percebo-o agora,
agora que tudo sinto
como se tudo fosse novo,
como se fosse a primeira vez.



segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Mãe Lua

Lua podia ser nome de mãe.
Enche-nos de luz
faz-nos crescer.
Por vezes mingua
e em nós conflitua,
outras vezes esconde-se
fazendo-nos temer.




quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Parabéns!

Era o teu aniversário. Por coincidência, ou talvez não, marcámos encontro para esse dia. Tentei dar-te os parabéns em forma de beijo, com o sorriso mais largo que consegui.
Fugiste, sem fugir, dizendo-me que não fazias anos.
Deixaste-me a pensar que não estavas preparada para um dia diferente, para acolher o que não é possível por agora.
Nos dias iguais da tua existência, talvez nunca tenhas recebido os parabéns que te queria dar. Talvez nunca tenhas feito anos.
Estranhamos o que nos é estranho, fugimos do que não conseguimos suportar.


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O Corpo

Parece que o encontrei.
Já o sinto
lentamente,
sinto as dores no peito,
os nós da garganta,
as lágrimas dos olhos,
a gargalhada descontrolada.

Sinto-me aqui
neste corpo,
de onde não é possível fugir.
É aqui e daqui
que agora olho o mundo.