Flor ou erva daninha
Era-me indiferente
Desconhecia-lhe a fragilidade,
a sensibilidade, a delicadeza.
Não a via
não a sentia
não lhe abria a janela
nem crescia com ela.
Como poderia reconhecer
uma flor, se não sabia
o que eram flores?
terça-feira, 29 de julho de 2014
sexta-feira, 25 de julho de 2014
A loucura anda à solta
A loucura anda à solta.
Alimenta-se da fantasia.
Nega a insuportável realidade
que a gerou um dia.
A loucura anda à solta.
Sem abrigo nem casa.
Foge sem destino
como as gentes de Gaza.
A loucura anda à solta.
Dizem que sai da norma.
E quem me diz se não é a loucura
a única boa forma?
A loucura anda à solta.
Toma conta de mim.
Antes o delírio, a insanidade
que aceitar o mundo assim.
que aceitar o mundo assim.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Viver devagar
Estou mais lento
quase ao sabor do vento.
Para quê a correria
numa estrada de fantasia?
Estou mais lento.
Perdi-me
na fuga desenfreada,
vida cheia de nada.
Estou mais lento.
Apenas quero viver.
Discorro o cansaço
de sobreviver a correr.
Estou mais lento.
Tenho pressa
para viver devagar.
Talvez descubra
como se pode amar.
quase ao sabor do vento.
Para quê a correria
numa estrada de fantasia?
Estou mais lento.
Perdi-me
na fuga desenfreada,
vida cheia de nada.
Estou mais lento.
Apenas quero viver.
Discorro o cansaço
de sobreviver a correr.
Estou mais lento.
Tenho pressa
para viver devagar.
Talvez descubra
como se pode amar.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
O Barba Farta
Vejo o homem escondido atrás de uma barba farta, de vários tons, a cirandar por ali, no topo da Avenida, de frente para os altos edifícios de bancos e hotéis, onde chegam e partem aos magotes os que visitam a cidade.
O topo da Avenida é o último reduto daquele sobrevivente em fuga permanente. De noite deita-se sobre cartões e farrapos, de dia circula naquele espaço, naquela trincheira duma guerra sem fim.
Talvez seja o único lugar onde consegue repousar, mesmo que por ali circulem milhares de carros e pessoas alheios à sua guerra.
Esta manhã tem por companheira uma litrosa, a cada gole tenta adormecer o inimigo. Cerra os dentes e barafusta. Assusta quem por ali anda distraído.
O homem de barba farta é um combatente perdido num lugar sem abrigo.
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terça-feira, 22 de julho de 2014
O Tempo das Palavras
Agrilhoado
ao passado
emparedei a emoção
até à exaustão.
Procurei o lugar
e os símbolos
que me trouxeram
temporalidade.
Nas palavras
reconheço o tempo
integro-o.
Acolho a cronologia
e a minha história.
Afinal tenho tempo.
A morte não está
a cada esquina.
Sonho a esperança
e o futuro.
ao passado
emparedei a emoção
até à exaustão.
Procurei o lugar
e os símbolos
que me trouxeram
temporalidade.
Nas palavras
reconheço o tempo
integro-o.
Acolho a cronologia
e a minha história.
Afinal tenho tempo.
A morte não está
a cada esquina.
Sonho a esperança
e o futuro.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Como estava enganado.
Como estava enganado.
Pensar poder evitar
as dores do crescimento.
Pensar que poder-me-ia
iluminar com luz alheia.
Pensar a vida com intervalos,
esconderijos, intermitências.
Como estava enganado.
Amar sem ter sido amado,
adulto sem ter sido criança,
herói sem ter chorado,
viver sem ter vivido.
Pensar poder evitar
as dores do crescimento.
Pensar que poder-me-ia
iluminar com luz alheia.
Pensar a vida com intervalos,
esconderijos, intermitências.
Como estava enganado.
Amar sem ter sido amado,
adulto sem ter sido criança,
herói sem ter chorado,
viver sem ter vivido.
domingo, 20 de julho de 2014
Saudade
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Como te sentes?
terça-feira, 15 de julho de 2014
O velho
Era o protagonista do video que promovia um evento musical. Dei por mim a ver e rever o pequeno filme vezes sem conta: havia um brilho especial naquele velho; algo que me fazia verdadeira companhia, que causava estranheza e encanto. Movia-me uma forte necessidade de o contemplar.
Mostrei o video a outras pessoas que o acharam engraçado, mas não mais do que isso.
Percebi há pouco que o velho homem apresentava trejeitos e um sentido de humor semelhantes aos do meu pai, quando este era capaz de brincar. O meu pai... é isso. Sinto saudades.
Mostrei o video a outras pessoas que o acharam engraçado, mas não mais do que isso.
Percebi há pouco que o velho homem apresentava trejeitos e um sentido de humor semelhantes aos do meu pai, quando este era capaz de brincar. O meu pai... é isso. Sinto saudades.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Amadurecendo
Tomando a palavra
restituo-me à vida.
Pela sua mediação
vou amadurecendo,
no meu tempo,
tecendo a realidade
das minhas sombras,
ligando-me ao afecto
e à emoção.
restituo-me à vida.
Pela sua mediação
vou amadurecendo,
no meu tempo,
tecendo a realidade
das minhas sombras,
ligando-me ao afecto
e à emoção.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Espreitar a Lua
Foram trinta anos de subúrbio. Vígil nas noites longas da
rotativa, José lia as noticias primeiro que toda a gente. As noites sucediam-se
umas atrás das outras sem intervalos para espreitar a Lua. De dia o sono seguia entre cortado, ao ritmo da vontade de vizinhos ruidosos.
José atravessara um doloroso período de separação.
Arrastava-se na ida e na volta do trabalho. Sentia-se num intervalo gigante. Depois de assaltado pela segunda vez na estação do
comboio, desfez-se de tudo e partiu.
Construiu um novo mundo à beira mar. Agora, no Verão, ao sol
fora, montado na sua bicicleta, faz umas dezenas de quilómetros seguidos de um
mergulho no mar, antes ainda de ir para o volante da carrinha que transporta
crianças de um ATL local.
Orgulhoso do seu novo lar, da sua caravana, dos seus
vizinhos do parque de campismo, José evoca os momentos em que se deita na cama
ao compasso das ondas e a saborear a vista da Lua.quarta-feira, 9 de julho de 2014
O equilibrista
Sinto-me equilibrista
da minha existência
Tomo consciência
do trapézio,
dos seus limites
e fronteiras.
Equilíbrios frágeis
e ininterruptos,
de um fio de navalha
constante.
da minha existência
Tomo consciência
do trapézio,
dos seus limites
e fronteiras.
Equilíbrios frágeis
e ininterruptos,
de um fio de navalha
constante.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
A dor
Oh permanente turbilhão.
Só a experiência
da vivência é lição.
Não posso ignorar
o que é meu,
nem a dor do que perdi.
Da sua negação
vieram fantasmas e aflição.
Só a experiência
da vivência é lição.
Não posso ignorar
o que é meu,
nem a dor do que perdi.
Da sua negação
vieram fantasmas e aflição.
sexta-feira, 4 de julho de 2014
A dúvida
Cai a certeza
levanta-se a dúvida.
No meio, mar de aflição e angústia.
Sinto a tolerância crescente
ao mundo inconsciente.
Por ora mais tranquilo e crente
só a dúvida propaga a mente.
levanta-se a dúvida.
No meio, mar de aflição e angústia.
Sinto a tolerância crescente
ao mundo inconsciente.
Por ora mais tranquilo e crente
só a dúvida propaga a mente.
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Liberdade
O tempo.
O meu tempo é este.
Um tempo que não descansa,
percorre os sentidos,
me inspira a esperança
de dias úteis e não fúteis.
Um tempo que me condena
à liberdade de viver.
O meu tempo é este.
Um tempo que não descansa,
percorre os sentidos,
me inspira a esperança
de dias úteis e não fúteis.
Um tempo que me condena
à liberdade de viver.
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Despertar
terça-feira, 1 de julho de 2014
A porta
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