Se o que deveria ser certo não chega no tempo certo, torna o incerto aterrorizante.
quinta-feira, 30 de abril de 2015
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Gritos
Foi muito tempo num mundo cheio de gritos mudos, de tal modo que os primeiros silêncios conquistados foram acompanhados por um zumbido persistente.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Não é gente.
Gente apática
sem sombra
escorrendo os dias
sorumbática.
Gente conformada
transparente
de braços caídos
sem amar e ser amada.
Gente encolhida
que não se expande
de olhar perdido
com imagem tolhida.
Gente insegura
que não arrisca
evitante
de amarga brandura.
sem sombra
escorrendo os dias
sorumbática.
Gente conformada
transparente
de braços caídos
sem amar e ser amada.
Gente encolhida
que não se expande
de olhar perdido
com imagem tolhida.
Gente insegura
que não arrisca
evitante
de amarga brandura.
domingo, 26 de abril de 2015
Livros
O Percurso de um Psicanalista
Sessões de análise revisitadas
Maria do Rosário Belo
2015 Coisas de Ler
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Eu Cão
Saíram-me ao caminho dois cães com ar ameaçador. Naquele instante reconheci um deles, facto que me apaziguou e permitiu sono descansado até de manhã. Ao levantar lembrei-me daquele provérbio Índio que diz termos dois cães dentro de nós, um violento e outro meigo, ganhando aquele que tiver melhor alimento.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Suicida ou atleta
De forma inesperada observo um individuo a precipitar-se do cimo de um prédio. Corro para a janela, angustiado com a cena macabra, para confirmar a tragédia. O sonho dissipa-se com a estupefacção ao ver o suposto suicida transformado num atleta a correr pela rua fora.
segunda-feira, 20 de abril de 2015
A perplexidade do fanatismo
Confrontados com a escassez de nutrientes afectivos, vamo-nos deixando levar pela espuma dos dias, pelos consumos de superfície. De repente, ficamos hipocritamente perplexos com certas noticias, como por exemplo aquela que anuncia a debandada de jovens ingleses para as fileiras do Estado Islâmico. No último ano foram mais os jovens que procuraram o fanatismo do que aqueles que se voluntariaram para o exército inglês.
domingo, 19 de abril de 2015
Montanha Russa.
Numa agitada conversa de minutos ela riu, chorou, zangou-se várias vezes. Eu perscrutava aquela montanha russa emocional, procurando nem pestanejar.
Vomitou o nome de todos os que a rejeitaram, que bateram com a porta: do ex-marido aos vários filhos, já crescidos. Na falta deles dirigia a raiva também para mim.
- Eras para não vir ao mundo, talvez tivesse sido melhor - gritara-lhe, infinitas vezes, uma mãe que nem ousava nomear.
Resistiu às várias investidas para acabar com o feto que teimara em crescer.
Não aceita que lhe batam com a porta da existência que procura avidamente.
Vomitou o nome de todos os que a rejeitaram, que bateram com a porta: do ex-marido aos vários filhos, já crescidos. Na falta deles dirigia a raiva também para mim.
- Eras para não vir ao mundo, talvez tivesse sido melhor - gritara-lhe, infinitas vezes, uma mãe que nem ousava nomear.
Resistiu às várias investidas para acabar com o feto que teimara em crescer.
Não aceita que lhe batam com a porta da existência que procura avidamente.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Tom de voz
Por vezes sinto-me disponível apenas para ouvir a melodia daquilo que me transmitem. Seguindo simplesmente o tom de voz parece-me que vislumbro melhor as entre linhas do discurso.
terça-feira, 14 de abril de 2015
Renascer.
Pelo fim da tarde descia a rua. A cada passo uma estranha sensação de desequilíbrio. Não sei...
Talvez fosse uma bizarra percepção de caminhar no espaço. Quase como se estivesse a aprender a andar.
Seria um síndrome vertiginoso ou estaria o chão a fugir-me dos pés?
Sentia uma insegurança que me levava a activar a ideia que era iminente o momento de me amparar com os braços num qualquer muro ou corrimão. De certo que não estaria ali ninguém suficientemente atento e de braços abertos para acudir aquela minha aflição. Nem poderia estar. Não fazia sentido.
No final da rua entrei num táxi e perguntei-me mil vezes sobre o que se estaria a passar.
Nessa noite sonhei que me encontrava a observar um bebé que caminhava tropegamente para os braços de uma mulher.
Talvez fosse uma bizarra percepção de caminhar no espaço. Quase como se estivesse a aprender a andar.
Seria um síndrome vertiginoso ou estaria o chão a fugir-me dos pés?
Sentia uma insegurança que me levava a activar a ideia que era iminente o momento de me amparar com os braços num qualquer muro ou corrimão. De certo que não estaria ali ninguém suficientemente atento e de braços abertos para acudir aquela minha aflição. Nem poderia estar. Não fazia sentido.
No final da rua entrei num táxi e perguntei-me mil vezes sobre o que se estaria a passar.
Nessa noite sonhei que me encontrava a observar um bebé que caminhava tropegamente para os braços de uma mulher.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Insónia
Cheguei à conclusão que mais importante que ficar agarrado à ideia que não dormi, por esta ou aquela razão, é tentar responder à pergunta: o que é que não sonhei enquanto estive acordado?
.
.
domingo, 12 de abril de 2015
Terror ou terra da dor
Oh ansiedade, ansiedade!...
Pareces teres nascido em terra de ninguém,
onde só há medo que não consigo desmascarar.
Corro, salto, faço o pino e repito até me cansar.
Não me deixas parar para pensar.
Tenho medo que me voltem a tramar.
Pareces teres nascido em terra de ninguém,
onde só há medo que não consigo desmascarar.
Corro, salto, faço o pino e repito até me cansar.
Não me deixas parar para pensar.
Tenho medo que me voltem a tramar.
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Dia Santo
O fervor da tua fé
atingia grande fulgor.
Preces e cantilenas
ao Senhor
que ainda ecoam.
Procuravas equilíbrio
nos caminhos do calvário.
Jamais poderia esperar
que me guiasses.
atingia grande fulgor.
Preces e cantilenas
ao Senhor
que ainda ecoam.
Procuravas equilíbrio
nos caminhos do calvário.
Jamais poderia esperar
que me guiasses.
terça-feira, 7 de abril de 2015
Romã
As pequenas bagas que ia retirando das romãs trazidas do meu quintal eram pretexto para que todos, ou quase todos, permanecessem na mesa após o jantar. Era uma segunda sobremesa muito apreciada por aquela dúzia de petizes que aguardavam que o juiz lhes desse uns pais.
A felicidade estampada naqueles rostos não podia ser só do sabor das bagas. Talvez também gostassem das histórias que lhes contava sobre o meu quintal.
A felicidade estampada naqueles rostos não podia ser só do sabor das bagas. Talvez também gostassem das histórias que lhes contava sobre o meu quintal.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Édipo
Nas noites em que o marido trabalhava, aproximava-me dela e deitavamo-nos. O perfume dele percorria os lençóis e adensava fantasias incestuosas. Era um cheiro pesado do qual me tentava alhear para sentir aquele aconchego doce e tenebroso.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Suburbios
Nem sempre a mentira tem perna curta. Levei aquela que escondi de mim mesmo até aos subúrbios da dor. Inscrevi-a em murais feéricos para que alguém a pudesse vislumbrar e fazer-me perceber que a minha cidade era outra.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

.jpg)


.jpg)










