Na nossa história existem histórias que aguardam narração. Do desconforto gerado, por essa espera, poderá sair a lucidez de pedir ajuda para que um dia possam ser contadas com propriedade, na primeira pessoa.
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
sábado, 22 de agosto de 2015
Regressando.
Já a madrugada ia alta quando regressei a tua casa para te apresentar o meu filho, como se nunca o tivesses conhecido. Pareceu-me assustado quando se aproximou de ti. Tentei tranquilizá-lo dizendo-lhe que não lhe farias mal.
Observei em ti um sorriso escondido na pele curtida e enegrecida pelo tempo. Um sorriso infantil de mafarrico apanhado em flagrante.
Observei em ti um sorriso escondido na pele curtida e enegrecida pelo tempo. Um sorriso infantil de mafarrico apanhado em flagrante.
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Saber ou conhecer
Um dia descobri que o meu pensamento encerrava um grande equivoco: estava absolutamente convencido que lendo muitas coisas e teorizando sobre outras iria conhecer alguma coisa de mim próprio.
Hoje sei que consegui apenas saber algumas coisas sobre alguns assuntos.
Hoje sei que consegui apenas saber algumas coisas sobre alguns assuntos.
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
A ponte sobre o abismo
Não sabe jogar, mas diz gostar muito de futebol. Fala de futebol em verborreia. Quando conversamos substitui o mais pequeno silêncio por uma referência ao futebol. Percebo que o futebol é uma espécie de ponte suspensa sobre um enorme abismo para o qual não se encontra preparada para olhar.
Amanhã voltaremos a conversar. Amanhã voltaremos a atravessar a ponte. Noutros amanhãs atravessaremos as vezes que forem necessárias.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Dar-te asas
Tal como um pai que, num gesto de ternura, lança o filho ao ar, tentando demonstrar ao petiz que o prazer de voar é muito maior que o medo, também o psicanalista procura que o analisando integre progressivamente a ideia que o prazer de voar é incomparavelmente maior que o medo de o fazer.
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