Vejo o homem escondido atrás de uma barba farta, de vários tons, a cirandar por ali, no topo da Avenida, de frente para os altos edifícios de bancos e hotéis, onde chegam e partem aos magotes os que visitam a cidade.
O topo da Avenida é o último reduto daquele sobrevivente em fuga permanente. De noite deita-se sobre cartões e farrapos, de dia circula naquele espaço, naquela trincheira duma guerra sem fim.
Talvez seja o único lugar onde consegue repousar, mesmo que por ali circulem milhares de carros e pessoas alheios à sua guerra.
Esta manhã tem por companheira uma litrosa, a cada gole tenta adormecer o inimigo. Cerra os dentes e barafusta. Assusta quem por ali anda distraído.
O homem de barba farta é um combatente perdido num lugar sem abrigo.
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