quarta-feira, 15 de julho de 2015

O Santo


Com os olhos de quem há muito se esgotou numa vida de corre corre, entre as agruras da adolescência do neto (que, com dois anos de idade, lhe caiu nos braços) e o serviço à casa e ao marido (que insiste em viver mais por fora que por dentro, pois há que fazer uns biscates que as pensões de ambos não chegam para as despesas), concentrou-se como pôde para demonstrar a importante função do seu senhor no agregado: “Sabe, eu sou o homem e a mulher cá de casa, mas não tenho nada a apontar ao meu marido; é um santo!”.


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