Pelos interesses que revela
parece que há três ou quatro gerações entre nós. Bem sei que existe nesta
geração um suporte básico de vida constituído por telemóvel com Wi Fi, PC e/ou TV.
Sei também que sem um destes elementos a insegurança aumenta drasticamente no
jovem e todas as propostas de actividades alternativas, que se lhe possam fazer,
correm risco sério de serem rejeitadas.
Socorro-me do Google, de amigos,
colegas e familiares para procurar actividades que promovam o contacto pessoal
com outros seres da mesma espécie e de preferência em locais ao ar livre, em
comunhão com a natureza.
Esfalfo-me para convencer o
jovem, dizendo-lhe que é bom estar com os outros, que a experiência do contacto
pessoal é insubstituível, nos torna mais fortes e permite-nos crescer. Tento
também sensibilizar para o facto do contacto com a natureza promover a
criatividade em x por cento, lançando até dados científicos sobre o assunto.
De forma seca, levo com a
resposta de que os amigos estão quase todos on line e à distância de um clique.
Tenso e de alguma forma frustrado, caio com relativa rapidez no último argumento
que consiste em informá-lo que a nossa relação é assimétrica e a última palavra
é minha.
Olho-me a fazer cálculos em voz
baixa sobre as semanas que faltam para o início das aulas. Ora, duas semanas de
colónias pagas com o meio subsídio de férias recebido, mais duas semanas no
campo em casa dos avós, desde que esteja garantido pelo menos o Wi Fi, mais
outras duas semanas coincidentes com as minhas férias…
Bolas! Pelas minhas contas estão
asseguradas apenas metade das férias. Na outra metade, ficam a descoberto
várias semanas que ele - e provavelmente muitos como ele - aproveitarão para se
enterrarem no sofá, em comunhão plena com os ecrãs.

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