segunda-feira, 27 de julho de 2015

Socorro!!! Tenho um adolescente de férias.


Pelos interesses que revela parece que há três ou quatro gerações entre nós. Bem sei que existe nesta geração um suporte básico de vida constituído por telemóvel com Wi Fi, PC e/ou TV. Sei também que sem um destes elementos a insegurança aumenta drasticamente no jovem e todas as propostas de actividades alternativas, que se lhe possam fazer, correm risco sério de serem rejeitadas.

Socorro-me do Google, de amigos, colegas e familiares para procurar actividades que promovam o contacto pessoal com outros seres da mesma espécie e de preferência em locais ao ar livre, em comunhão com a natureza.

Esfalfo-me para convencer o jovem, dizendo-lhe que é bom estar com os outros, que a experiência do contacto pessoal é insubstituível, nos torna mais fortes e permite-nos crescer. Tento também sensibilizar para o facto do contacto com a natureza promover a criatividade em x por cento, lançando até dados científicos sobre o assunto.

De forma seca, levo com a resposta de que os amigos estão quase todos on line e à distância de um clique. Tenso e de alguma forma frustrado, caio com relativa rapidez no último argumento que consiste em informá-lo que a nossa relação é assimétrica e a última palavra é minha.

Olho-me a fazer cálculos em voz baixa sobre as semanas que faltam para o início das aulas. Ora, duas semanas de colónias pagas com o meio subsídio de férias recebido, mais duas semanas no campo em casa dos avós, desde que esteja garantido pelo menos o Wi Fi, mais outras duas semanas coincidentes com as minhas férias…

Bolas! Pelas minhas contas estão asseguradas apenas metade das férias. Na outra metade, ficam a descoberto várias semanas que ele - e provavelmente muitos como ele - aproveitarão para se enterrarem no sofá, em comunhão plena com os ecrãs.
 
 
 

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