Os seus dias terão ficado lá
atrás dos bancos de nevoeiros que povoam a memória. Arrastados pela vertigem da
modernidade, os dois velhos sentados no banco do jardim denunciavam estados de
espirito diferentes. Um, mais sereno, quase que dormitava a aproveitar o calor
dos raios de sol outonais que penetravam por entre a folhagem da borracheira. O
outro parecia mais agitado, procurava algo com o olhar.
Quando percebeu que alguém se aproximava
interpelou de forma educada e num tom coloquial e profético: - Por favor, gostava de chamar
a sua atenção para o facto de Deus ser luz, pai e amor – após um compasso de
espera silencioso irrompeu com uma pergunta: - sabe qual das três dimensões é a
primeira? O homem surpreendido olhou para o relógio dando a entender que estava
com pressa, no entanto decidiu responder sem grande convicção para fazer a vontade ao
velho: - Talvez seja a do amor. O velho triunfante disse que não é o amor, mas
sim a luz; - Sem ela o senhor não veria nem o pai nem o amor - rematou com ar
de gozo.
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