"O sorriso vinha de memórias que camuflavam a dor maior. Talvez fossem memórias ilusórias. Era um sorriso triste, cheio de vontade de falar, de continuar a sorrir até não poder mais. Eu perscrutava a dor daquele menino que me angustiava. Fiz tudo para prolongar aquele sorriso, mas sabia que não era possível.
O sorriso daquele menino foi-se apagando. O queixo começara a tremer, olhos de pânico, mãos que se esmagavam uma à outra. Recebi a sua dor. As suas lágrimas eram agora também minhas.
A avó, com quem passara férias, feriu-o sem lhe tocar. Magoou-o no mais profundo do ser, na sua intimidade.
Agora é preciso chorar para poder voltar a sorrir."

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